8 de mar de 2014

A importância de saber estudar.



Em nossa mente a partitura vai ficando impressa à medida que a aprendemos, segundo seja a forma como estejamos estudando-a.


Aprender a executar uma partitura requer uma familiarização com a técnica e a escrita. Tudo isto é muito importante, naturalmente, e até hoje o ensino musical é fundado nesses aspectos. Porém, há outro aspecto, não menos importante, e é como se faz para estudar. Poderíamos dizer que até no caso de um estudante com aptidões excepcionalmente boas, os resultados seriam ainda melhores se esse aluno aprendesse a estudar corretamente. Como é que se faz, então, para estudar? Na realidade isto é algo que todos nós terminamos sabendo, mas quase ninguém sabe cultivar conscientemente.

É evidente que quando queremos aprender algo devemos primeiro estudá-lo, e depois ensaiá-lo até atingir o domínio prático do que foi aprendido. E os resultados serão dacordo à forma como essa tarefa haja sido feita. Muitos são os que perdem o tempo por causa de não saberem estudar. Poder-se-ia dizer que – parafraseando um ditado bem conhecido - : “Diz-me como estudas e te direi que músico tu és”. Isto é aplicável não somente ao músico profissional, mas também ao iniciante, pois este quase sempre tem a idade em que os hábitos ficam mais enraizados.

Façamos algumas observações. Por exemplo, o caso de um concertista que sempre entra em pânico momentos antes da apresentação e consulta a partitura até momentos antes de entrar ao palco, como se não a dominasse completamente. Isto é porque não estudou bem essa partitura, mesmo que tivesse dedicado um bom tempo a aprendê-la. Também é possível que arraste, desde a época de iniciante, certos hábitos adquiridos que, no momento crítico da apresentação, lhe provoquem essa insegurança. De forma muito parecida podemos lembrar aqueles estudantes (ou ainda músicos profissionais) que, para se “esquentar”, não fazem exercícios apropriados e preferem repassar trechos mais ou menos difíceis das obras que haverão de interpretar poucos minutos depois; apresentam este sintoma porque cultivam formas defeituosas de estudar.

O estudo e a prática exigem método, sistema, ordem e habilidade. Como estudar deveria ser mais uma matéria em qualquer área do conhecimento, mas na música é um tema bastante complexo. São muitos os que acreditam em que o tempo faz tudo, e é assim como tantas vezes se perde o tempo em esgotadoras horas de prática cujo resultado não se corresponde com a quantidade de esforço realizado.

Quiçá se diga que tudo isto é um tema que interessa só aos concertistas, mas essa forma de pensar é precisamente a que forma legiões de pessoas que não sabem estudar. Ou seja, é raro que um iniciante já tenha decidido qual será o seu futuro com a música, razão evidente para prevenir desde o começo a formação de hábitos capazes de produzir um máximo rendimento com o menor esforço possível. Também podemos pensar, ao respeito, em que se uma pessoa estuda música só pelo prazer de fazê-la, se encontrasse demasiadas dificuldades ficará desanimada.

Também se diz frequentemente que cada um tem seu método próprio, que foi achando-o após anos de prática, e que não é conveniente submeter aos estudantes a disciplinas coercitivas. Com certeza, mas também é verdade que aquele que seguir esse caminho irá cego por um terreno desconhecido, até achar finalmente um caminho bem traçado. Isto expõe muito à reaprendizagem (apagar um caminho para aprender outro que é novo).  

Em definitiva, pode e deve existir uma técnica para estudar. Ou seja, formas de entender uma partitura, saber como organizá-la na memória, saber decidir os movimentos corporais que serão necessários de fazer, saber como organizar coerentemente as dificuldades que se produzem naturalmente na hora de estudar, para vencê-las, em fim, trata-se de aprender a manejar os próprios processos mentais aprendendo a controlá-los.

GBZ